Rupert fala sobre não ter redes sociais e decepção por ser sorteado para Lufa-Lufa

17 de mar de 2017


A estreia da série Snatch nos trouxe muitas aparições e entrevistas com o Rupert nos últimos dias. A Vulture publicou nesta quinta (16) uma entrevista em que ele fala sobre Snatch, distanciamento da imagem de Rony Weasley, sobre sua decepção após ter sido sorteado para a casa Lufa-Lufa no Pottermore e muito mais!

Confira essa excelente entrevista traduzida:

Em Snatch, você interpreta Charlie Cavendish, membro de um grupo de trapaceiros que repentinamente são inseridos no crime organizado. Como você descreveria seu personagem?

Levei um tempo para descobrir quem ele era. Ele vem de uma família aristocrata opulenta, mas que gastou seu dinheiro e vive em uma mansão meio que abandonada. Os pais dele dão festas estranhas e o pai dele cultiva maconha no porão.  Ele se sente muito distante da família, mas ainda tem esse orgulho do nome da família e mantém as aparências. Então é realmente sobre como esse grupo de jovens trapaceiros jovens formam esta família.

Algo que conversamos anteriormente foi sobre atores que ficam marcados por um papel, mas são capazes de se reinventar nos seus futuros papéis. Geralmente parece requerer algo extremo, até mesmo uma transformação física. Nos papéis pós Harry Potter, você pensou sobre se distanciar intencionalmente do Rony Weasley?

Sim, eu acho que isso sempre vai ser um desafio.  Os filmes de Harry Potter são tão amplamente apreciados e assistidos, e novas gerações chegam e entram no fandom, então o Rony sempre estará lá. Não é uma decisão intencional na verdade, eu não saí por aí escolhendo papéis adultos muito chocantes. Eu sou dirigido por roteiros e pessoas ao meu redor. Mas sim, você quer tentar e se afastar da sua zona de conforto.

De alguma forma, ter interpretado um papel como aquele pode facilitar para que a audiência simpatize com você quando você interpreta, por exemplo, um vigarista, porque vão lembrar de você como alguém que eles amam e confiam.

Sim, isso é interessante. Acho que sempre estará comigo. Eu tive um relacionamento estranho com esse personagem, nós meio que nos fundimos na mesma pessoa. Eu acho muito difícil separar onde eu termino e onde Rony começa.

Especialmente em uma idade tão jovem, imagino que você está descobrindo quem você é também, provavelmente.

Passamos por um momento bastante importante em nosso desenvolvimento, acho. E naturalmente nos imergimos na mesmo coisa. É bem estranho crescer nisso. Eu assisti à peça Harry Potter e Criança Amaldiçoada e foi bem estranho.

Ah sim, porque você estava assistindo uma versão mais velha de você mesmo.

Sim, e o Rony é um personagem que eu sinto que é parte de mim. Foi como se eu estivesse em uma experiência fora do corpo. Mas sim, foi incrível vê-lo seguir , e ver a interpretação de outra pessoa também foi muito interessante. Gostei de verdade.

Você conversou com o ator antes dele entrar para o papel?

Não, de jeito nenhum. Era uma coisa muito distinta. Conheci ele depois, tivemos uma boa conversa. Mas isso foi louco [risos]

Parece que você, Daniel Radcliffe e Emma Watson fizeram uma transição de estrelas mirins para atores adultos muito bem. Estou curioso se você pensou sobre o porquê, pois isso pode ser uma espécie de transição difícil para muitas pessoas. No entanto, vocês parecem muito bem adaptados e escolheram projetos interessantes pós-Harry Potter.

Harry Potter foi uma parte única e incrível da minha vida. Nós vivemos dentro dessa bolha, então foi muito difícil se ver fora disso. Assim que terminou o último filme foi um período estranho, era uma sensação esmagadora. Foram 12 anos contínuos e aí terminou depois de uma tomada. Levei um tempo para me adaptar e resolver o que eu ia fazer. Mas foi legal não fazer nada. Tive uma grande pausa.  Foi um grande sacrifício, eu acho, mesmo tendo sido tão divertido como foi, naturalmente você perde muito crescendo dentro disso. Então, sim, eu senti que precisava de um tempo para mim mesmo.

E então ao voltar ao trabalho, você enfrentou algum desafio no sentido de ficar caracterizado por um personagem? 

Na verdade as oportunidades foram bem amplas, eu tive chance de fazer um monte de coisas diferentes. Teatro foi o que eu mais queria fazer e eu achei muito educativo, aprendi muito com ele.

Harry Potter foi sua primeira grande experiência em atuação e estou curioso para saber se há alguma coisa que você aprendeu sobre atuar nele que está realmente agregado em você e se há alguma coisa que você teve que meio que desaprender ao fazer outros tipos de atuação?

Sim, foi muito educativo estar nos sets de gravação. Você realmente aprende o trabalho interno por trás das câmeras - foi como uma longa escola de cinema. Isso foi  muito diferente porque interpretar o mesmo personagem por tanto tempo ele  meio que se torna parte de você.

É quase como TV de certa forma porque você esteve nisso por muito tempo.

Absolutamente. E também você sabe onde termina a história, então é um arco bastante claro que você consegue seguir. Na verdade é por isso que adoro TV. No filme você não tem muita oportunidade de ter uma jornada real como um personagem, através de cada episódio, que é algo que eu gostei com Snatch.

Como você disse, em Harry Potter você sabia como ele ia acabar, mas em algo como Snatch, o quanto você sabia dos roteiros? Há aquele elemento de não saber como seu personagem vai mudar e quem ele vai se tornar.

Definitivamente, sim. Foi o caso de Snatch, eles estavam escrevendo enquanto íamos adiante. Não sabíamos mesmo. Nós estávamos filmando um episódio e não sabíamos como esse episódio ia terminar, era bem no momento. Na verdade, acho que isso ajudou no caso de Snatch. Com tantos dramas, foi bom não saber exatamente o que ia acontecer. Isso o fez soar muito espontâneo.

Entao… você não está nas redes sociais.

Não, parece que sou a única pessoa no mundo que não tem rede social [risos]

Isso é porque você quer manter sua vida um tanto afastada? 

Acho que sim Esse é o ponto. Eu não me sinto confortável nesse mundo. Valorizo muito a privacidade. Isso me permite ser anônimo e sinto falta disso às vezes. As pessoas lá [nas redes sociais] são muito legais, mas às vezes você só quer estar invisível.

Eu vi você no The Late Show With James Corden, e você estava dizendo o quanto é confundido com o Ed Sheeran em 50% das vezes que te abordam. Isso te permite estar anônimo de certa forma ou ainda é a mesma coisa ?

Na verdade não muda nada, e se muda alguma coisa, é para pior. Eu questiono a dedicação de fã das pessoas que me confundem com o Ed Sheeran. Eu realmente não consigo ver uma grande semelhança entre nós, além do cabelo.

Eu vi que você foi sorteado para a Lufa-Lufa no Pottermore. Você ficou surpreso com isso?

Sim, e também um pouco decepcionado para falar a verdade. Ela não é a mais legal, né?  Mas é um algoritmo muito inteligente.

É incrível. Fiquei tão impressionado com o teste porque fiz alguns no passado e este foi muito mais poético de certa forma, onde você realmente não poderia burlar o sistema.

E eu fiz outras vezes também e caí na Lufa-Lufa em todas. E você quer ser da Grifinória ou Sonserina.

Nenhum comentário:

Postar um comentário